Foto: Jim Loring/Tearfund

Da: Aprendendo com os desastres – Passo a Passo 56

Orientações sobre como as comunidades podem se preparar para o inesperado

Roshan Mendis.

O Sri Lanka é uma ilha com vegetação rica e variada. Antigamente, a maioria dos grandes desastres estavam ligados ao excesso de chuvas. Em 1999, no entanto, a estação das chuvas não ocorreu. As pessoas do sul da ilha esperaram com ansiedade pela próxima estação das chuvas. Porém, as próximas duas tampouco ocorreram. Isto quer dizer que não chovia há 21 meses. Os poços e os rios secaram.

O arroz, a principal cultura e altamente dependente da chuva, foi a mais afetada. O coco era outra cultura que provia uma importante fonte de renda para a região. Uma quantidade enorme de árvores secaram e perderam suas folhas e frutos, deixando apenas os topos desfolhados. Muitas só serviam para serem cortadas e usadas como madeira de construção, deixando seus donos sem nenhuma renda até que as novas árvores replantadas dessem frutos. Os agricultores ficaram com dívidas enormes depois de perderem três colheitas de arroz e todos os cocos. Muitos deixaram seus povoados para procurar trabalho nas cidades e, assim, sustentar suas famílias. Alguns até apelaram ao suicídio.

O governo ignorou a crise, mas, depois de dois anos, finalmente declarou estado de emergência devido à seca, embora ainda não tivesse os recursos para satisfazer as necessidades das pessoas. 1,5 milhões de pessoas foram afetadas pela seca, que foi a pior de que as pessoas se podem lembrar.

Auxílio prático

ALEADS (Lanka Evangelical Alliance Development Service) é uma agência de assistência em situações de desastre e desenvolvimento sediada em Colombo. Ela organiza uma grande variedade de programas, inclusive de desenvolvimento comunitário, habitação, reabilitação de dependentes de drogas, construção da paz e trabalho de assistência em situações de desastre.

Ao ouvirem sobre o estado dos habitantes dos povoados do sul, eles informaram a comunidade cristã nas proximidades de Colombo e começaram a levantar verbas para o seu Projeto de Assistência em Situação de Seca. Muitas organizações privadas, igrejas e indivíduos se manifestaram, fazendo doações generosas. Isto permitiu à LEADS fornecer tanques de armazenamento e suprimentos de água aos habitantes dos povoados muito afetados. Em dois dias, eles haviam fornecido instalações de armazenamento de água e água a 20 povoados. O monge budista de cada local foi convidado a acompanhá-los na distribuição dos tanques.

ALEADS decidiu fornecer instalações de armazenamento de água ao invés de água engarrafada ou rações de alimentos, pois, com o tempo, estes poderiam ser usados para armazenar a água da chuva. Aresposta imediata foi fornecer tanques de armazenamento de água com capacidade para 2.000 e 1.000 litros e água potável para mais de 11.000 famílias, em quase 90 povoados.

Depois, eles pediram aos habitantes dos povoados para que formassem comitês de abastecimento de água. Estes incluíam membros de, no mínimo, 20 famílias de cada povoado, a fim de evitar conflitos na distribuição. Estes comitês, então, trabalharam diretamente com o oficial de desenvolvimento rural e outras autoridades locais. ALEADS insiste para que haja envolvimento e acordo total dentro da comunidade para qualquer plano de trabalho.

ALEADS também procurou desenvolver mais medidas de mitigação da seca a longo prazo tais como o fornecimento e a melhoria do acesso a poços abertos. Os poços variavam em utilização: alguns eram para água potável, e outros, para o uso agrícola.

Dos 40 poços abertos, todos produziam água doce, mesmo nas regiões em que outras perfurações haviam produzido somente água salgada. Cada poço fornece água potável para, pelo menos, 30 famílias.

Impacto físico e espiritual

Aresposta rápida dos funcionários da LEADS aumentou a credibilidade e a confiança na organização. A assistência oferecida atendeu uma necessidade urgente dentro da comunidade. As igrejas tiverem a oportunidade de compartilhar o amor de Cristo de maneira prática, num momento de oposição considerável contra os cristãos, principalmente no sul de Sri Lanka. Os habitantes dos povoados perceberam que, num momento de necessidade para eles, foram os cristãos que fizeram alguma coisa. Muitas pessoas ficaram comovidas, tanto pelo auxílio prático oferecido como pela maneira afetuosa como isto foi feito. Aresposta da LEADS fortaleceu o testemunho e a credibilidade das igrejas locais e abriu as portas para um trabalho de desenvolvimento maior na região.

Trabalho de defesa de direitos

ALEADS também procurou persuadir alguns dos bancos a serem mais compreensivos ao lidarem com as pessoas que se haviam endividado por causa da seca. Como resultado, os agricultores receberam algum auxílio no pagamento de seus empréstimos e na recuperação de sua dignidade. Isto também lhes deu esperança de que, no final da seca, talvez votassem ater lucro, ao invés de continuarem endividados. O trabalho ainda continua, com planos para um projeto de coleta de água de escoamento da chuva para 500 agricultores. Este trabalho deverá diminuir o impacto de futuras secas. Isto está sendo planejado em cooperação com a Universidade de Moratuwa e o Departamento de Irrigação.

Roshan Mendis é o Diretor de Desenvolvimento Comunitário, Assistência e Relações entre Igrejas da LEADS, Sri Lanka. Seu endereço é 25 Hospital Road, Dehiwela, Sri Lanka. E-mail: leads@stmail.lk

Pontos de aprendizagem

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