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Foto: Mike Webb/Tearfund

Da: Comunicação eficaz – Passo a Passo 71

Diferentes formas de trocar informações

 Uma em cada seis pessoas no mundo não sabe ler ou escrever. Muitas destas pessoas falam idiomas locais e talvez não entendam o idioma nacional do seu país. Isto signifi ca que elas não podem acessar informações de fora das suas comunidades.

A abordagem PILARES para a aprendizagem baseia-se na alegria que as pessoas sentem nas discussões e na vontade de compartilhar seu conhecimento num pequeno grupo. Os Guias PILARES são livros produzidos pela Tearfund para atender às necessidades das pessoas cujo acesso às informações externas talvez seja muito limitado. Para se beneficiarem com os Guias, as pessoas precisam se encontrar em pequenos grupos, com pelo menos uma pessoa alfabetizada. A maior parte da aprendizagem é baseada em discussões. A abordagem PILARES para a troca de informações tem por objetivo capacitar as comunidades para iniciar, gerir e sustentar a mudança positiva social e econômica nas suas vidas.

Atualmente, há 11 Guias PILARES sobre assuntos como a mobilização da comunidade, agrossilvicultura, segurança alimentar, pequenas empresas, HIV e AIDS, direitos humanos e higiene e saneamento. Cada guia tem de 20 a 25 tópicos, todos com materiais para os encontros. Cada tópico é tratado numa página dupla, com um texto explicativo para ser lido em voz alta, uma ou mais ilustrações, questões para discussão e, às vezes, atividades práticas. Os Guias trazem estudos bíblicos em grupo, que ajudam a relacionar a ação com os princípios espirituais.

Aprendizagem com base em discussões

As questões para discussão são cuidadosamente elaboradas para explorar o conhecimento e a experiência que as pessoas já têm e, então, desafiar as práticas e as atitudes atuais. A aprendizagem com base em discussões ajuda a incentivar um senso de apropriação em relação às novas informações. Ela ajuda as pessoas a trabalharem juntas para resolver seus problemas e aumenta a sua autoconfiança para tomar decisões quanto ao seu futuro e agir em grupo.

Facilitação das discussões

Não é necessário um treinador de fora do grupo para usar os Guias PILARES, mas é necessário que haja, no grupo, alguém com autoconfiança para facilitar a discussão em grupo. Facilitar é muito diferente de treinar ou ensinar. A facilitação ajuda a explorar a aprendizagem e a experiência dos membros do grupo, ao invés de lhes dizer o que fazer. Os facilitadores de grupos podem se beneficiar com algum treinamento nas habilidades de facilitação para ajudá-los a usar os Guias PILARES. Há um Manual de habilidades de facilitação, que ajuda as organizações a oferecerem um treinamento simples e experiência em coisas como dramatização de papéis, ferramentas participativas e atividades que ajudam as pessoas a se descontraírem e a participarem mais da discussão.

Adaptação da abordagem PILARES para atender às necessidades locais

Translating a Guide into the Ticuna language in Brazil. Photo: Isabel Carter, Tearfund.

Translating a Guide into the Ticuna language in Brazil. Photo: Isabel Carter, Tearfund.

Idiomas locais

A abordagem PILARES valoriza o idioma e a cultura local. As pessoas são incentivadas a traduzir e adaptar os livros para tornálos mais relevantes para a situação local. A Tearfund, porém, pede que o conteúdo factual não seja mudado. Os Guias foram elaborados para facilitar ao máximo a tradução do conteúdo. Os arquivos de design estão disponíveis gratuitamente em CD Rom, juntamente com ilustrações alternativas para a África ou a Ásia. A FELM (Finnish Evangelical Lutheran Mission) traduziu os Guias PILARES para os idiomas wolof e serer no Senegal. Um dos seus funcionários comentou, “É difícil encontrar materiais adequados e já prontos sobre desenvolvimento para traduzir. Por isso, apreciamos muito os materiais PILARES.”

Treinamento de líderes juvenis 

A Siam-Care, na Tailândia, trabalha com famílias afetadas pelo HIV. Eles precisam de novas idéias para treinar seus líderes juvenis e comunitários. Eles traduziram o Guia Desenvolvendo as capacidades de grupos locais para o tailandês e distribuíramno entre os líderes. Eles ofereceram treinamento sobre como usar o Guia e, então, monitoraram a forma como ele foi usado. Eles descobriram que combinar o guia com jogos e atividades fazia com que as pessoas se interessassem. A troca de opiniões e a participação em grupo foram muito importantes. O uso consistente dos Guias com o mesmo grupo de pessoas também mostrou ser importante para o sucesso.

Desenvolvimento de habilidades de redação

A ACTS, em Burquina Faso, traduziu dois Guias e, depois, escreveu seu próprio Guia sobre o HIV no idioma mooré. Esta foi a primeira vez que eles escreveram algo em mooré. Em Burquina, falar sobre o HIV é difícil, porque significa falar sobre sexo, que é considerado tabu. Agora, eles acham que o Guia “liberou” muitos grupos para falarem sobre estas questões, principalmente nas igrejas.

Eles realmente sentem que são donos dos “seus” Guias em mooré e disseram que traduzir não lhes dá um senso tão grande de apropriação quanto escrever. “O trabalho de redação é muito difícil, mas aí as idéias são nossas: fomos nós que as tivemos. Vemos que elas têm o mesmo valor para as comunidades. Aprendemos a voar com as nossas próprias asas!”

Estudo bíblico 

A SIL, no Sudão, comentou, “Usamos os estudos bíblicos de Gênesis, pois esta é a única parte da Bíblia disponível no idioma keliko aqui. As mulheres gostaram muito, mas muito mesmo. Os olhos delas estavam bem abertos quando disseram “Já havíamos lido esta parte muitas vezes, mas nunca havíamos pensado sobre esta passagem desta maneira.” Elas realmente estavam vendo a relação entre as histórias do Velho Testamento e a sua vida.”

Alfabetização 

A WARMYS trabalha com grupos de mulheres no altiplano do Peru, onde os índices de alfabetização são baixos. Eles usaram os Guias PILARES como forma de alfabetização. Um líder ou membro do grupo lê o texto em voz alta (geralmente baixado do site tilz em espanhol), e as mulheres, então, trabalham em pequenos grupos, lendo o texto novamente juntas, lendo as perguntas em voz alta, discutindo as respostas e, depois, escrevendo-as antes de se reunirem novamente no grande grupo para compartilhar o que aprenderam. Desta maneira, as mulheres estão adquirindo mais habilidades para ler e escrever assim como conhecimento sobre higiene, saúde e nutrição.

Refugiados 

A Salomon Dibaba, na Etiópia, usou a abordagem PILARES com o povo mabban, formado por refugiados sudaneses na região da fronteira etíope. Solomon percebeu que os refugiados freqüentemente são vistos como pessoas desesperadas, deslocadas e traumatizadas, com pouco a fazer, a não ser sentar e esperar. Ele explicou, “A nossa experiência mostrou o contrário. O nosso primeiro encontro de treinamento foi planejado para 30 pessoas, mas acabamos com mais de 80. Traduzimos Mobilização da comunidade. Dos 10.000 refugiados mabbans no campo de Sherkole, somente dez sabiam ler e escrever, mas foi incrível ver a diferença que estes dez conseguiram fazer, espalhados pelos grupos de tradução.”

Os mabbans rejeitaram as figuras existentes no Guia, mas havia seis artistas no campo. Assim, eles criaram novas ilustrações, nas duas cores que os mabbans adoram: preto e vermelho. Depois da tradução, os Guias foram testados em campo. Um homem pulou de alegria ao ver as duas primeiras páginas e disse, “Nós somos um povo, nós somos os mabbans!”

Muitos desafios esperam adiante, pois são muito poucos os mabbans alfabetizados. Eles precisam de um programa de alfabetização para usar os Guias. O trauma da vida de refugiado, com tão pouca esperança de voltar para casa, faz com que as pessoas se perguntem “Para que aprender?” Porém, Solomon diz, “Empoderar os refugiados é muito importante. Eles precisam de habilidades e treinamento. A utilização dos Guias PILARES é fundamental para todo o tipo de trabalho de desenvolvimento.”

Mobilização da igreja

O Pastor Soudré Albert trabalha com a Igreja Apostólica de Ouahigouya, no norte de Burquina Faso. Ele comprou o Guia PILARES sobre a Mobilização da igreja num encontro de treinamento, porque achou que parecia interessante e podia ajudar a motivar a sua igreja. Ele dividiu a igreja em grupos de dez pessoas, que se encontram três vezes por semana, por 30–40 minutos cada vez. Cada grupo tem o seu próprio líder e progride no seu próprio ritmo. “Com o tempo, vimos os frutos destes Guias na igreja. Encontrar estes Guias foi uma bênção para a igreja. Eles realmente deram aos membros da igreja uma nova visão: compreender que, como cristãos, podemos mudar o mundo em que vivemos. As pessoas vêm de outras igrejas para participar dos grupos de discussão. Mobilização da igreja é um documento que realmente mudou a mim e a minha igreja de uma forma muito concreta.”

Isabel Carter desenvolveu a abordagem PILARES com base em pesquisa doutoral. Ela ajudou a facilitar vários encontros de treinamento para ajudar organizações a produzir os Guias no seu próprio idioma e escreveu 11 Guias PILARES.

Para obter uma lista completa dos Guias disponíveis e saber como encomendá-los, veja Recursos, na página 15.

Isabel Carter, Tearfund, 100 Church Road, Teddington, TW11 8QE, Reino Unido. E-mail: isabel.carter@tearfund.org Site: www.tearfund.org/tilz


Dicas para os líderes de discusses

Leia o Guia inteiro e familiarize-se com o conteúdo. Pense sobre o que as pessoas podem querer saber mais. Reconheça as suas próprias atitudes e crenças sobre o assunto e tente evitar impô-las aos outros. 

Apresente o tópico em questão – relacione-o a eventos recentes. Use a dramatização de papéis se apropriado.

Explique as palavras e os conceitos novos. Isto é especialmente importante quando o nível de alfabetização for baixo. As pessoas geralmente se sentem constrangidas demais para perguntar, quando não entendem as palavras difíceis.

Entrem em acordo sobre como o grupo irá trabalhar junto. Os encontros agradáveis, onde as pessoas estão descontraídas e conseguem rir juntas, tendem a resultar em grupos mais úteis e produtivos.

Leiam o texto todo juntos. Se houver mais de um exemplar disponível, as pessoas alfabetizadas podem ajudar os outros a acompanhar o texto.

Trabalhe com as questões para discussão. Não tenha medo do silêncio, pois as pessoas precisam de tempo para pensar. Lembre-se de que raramente há apenas um ponto de vista correto. Portanto, incentive a discussão dos diferentes pontos de vista. Incentive a contribuição de todos. Não critique as respostas que achar erradas: obtenha mais informações e idéias.

Não tenha medo de dizer que não sabe a resposta para uma pergunta difícil. Ao invés disto, diga que responderá ao grupo mais tarde, quando tiver mais informações.

Explore e desenvolva a resposta do grupo para as idéias apresentadas.

Documente o que foi aprendido. Faça anotações simples num caderno para reunir tudo o que foi aprendido e quaisquer decisões tomadas antes de encerrar o encontro. Anote os planos de ação. Com o tempo, estas anotações podem se tornar um registro muito útil.

Encerre a discussão de forma positiva. Tente resumir e rever as principais questões levantadas durante a discussão.


Uso da dramatização de papéis na comunicação

A dramatização de papéis pode ser usada de várias maneiras: para salientar problemas e atitudes, para compartilhar modos de pensar e frustrações comuns, para expor prováveis conflitos ou mostrar possíveis soluções. A dramatização de papéis faz com que as pessoas falem sobre tópicos delicados mais facilmente, pois elas falam como se fossem outros personagens, e não como elas mesmas. Duas ou três pessoas geralmente podem fazer uma boa dramatização de papéis, com apenas 10–20 minutos de preparo, se tiverem boas orientações. Experimentar a dramatização de papéis também pode ajudar a unir o grupo. A dramatização de papéis é uma forma realmente útil de comunicação porque:


Possibilidades futuras 


OFERTA ESPECIAL

Se você quiser experimentar a abordagem PILARES para compartilhar informações, estamos fazendo uma oferta especial durante 2007 somente. Para as organizações que nunca usaram esta abordagem antes, enviaremos gratuitamente:

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