Foto: Esther Harder

Da: Passo a Passo 75

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Vivo no município de Nsukka, a cidade central da região de Nsukka, no estado de Enugu, na Nigéria. Há mais de três décadas, assisto, com horror, à deterioração do nosso meio-ambiente. Vejo detritos, como sacolas de plástico e embalagens, cobrindo a nossa linda paisagem verde.

A maioria de nós nem percebe os danos que estamos causando a nós mesmos, porque ninguém nos confronta quando usamos e jogamos esse lixo nas ruas. Esses plásticos são muito baratos, e ninguém se esforça para pôr fim ou controlar este hábito que arruína a paisagem com lixo. Não é apenas uma questão de estragar a vista: os plásticos entopem as hidrovias, o que causa muita erosão. A água acumula-se e proporciona um local de proliferação para germes e insetos, que espalham doenças. Isto pode ser visto nos altos índices de mortalidade nessas áreas.

Desaparecimento de habilidades 

 

Foto: Tearfund

Foto: Tearfund

Uma outra tendência preocupante que devemos combater é a questão dos nossos artesanatos locais, um dos quais é a cestaria. Os cesteiros tradicionais estão envelhecendo, e a geração mais jovem tem pouco interesse nessa arte tradicional, uma vez que ela não está incluída em nenhum currículo do sistema escolar formal. Temo que a tradição da cestaria morra. Esses cestos são feitos em diferentes formatos e tamanhos e são usados para carregar coisas e armazenar dendê, cereais e nozes de cola em casa. Eles geralmente são muito bonitos, cuidadosamente tramados e duram muito tempo quando bem conservados. Os cestos são tradicionalmente tramados com folhas de palmeiras, que crescem em abundância nesta região. Para mim, o cesto é um material altamente ecológico, que pode substituir as sacolas de plástico que sujam o meio ambiente.

Como artista interessada no meio ambiente, tenho um plano que, espero, ajudará muito a resolver o problema dos danos causados ao meio ambiente com o lixo plástico, além de resolver o problema da perda gradual do artesanato tradicional. Quero começar uma campanha para a prática da separação de lixo, a compostagem e, o mais importante, o uso de cestos feitos no local ao invés de sacolas e recipientes de plástico. Esta campanha usará todos os meios de comunicação locais existentes em Nsukka. Um desses meios é a oportunidade que há na tradição do luto nas casas. Nesta região, quando uma pessoa morre, os membros da família imediata e da família extensa do sexo feminino reúnem-se na casa do falecido. Elas devem permanecer juntas em luto por uma ou duas semanas. Muitas idéias podem ser trocadas e desenvolvidas ali. Usarei também cartazes, faixas e folhetos.

Pretendo organizar um encontro de treinamento para os melhores cesteiros dos arredores de Nsukka a fim de mostrarlhes os novos designs que criei. No final do encontro de treinamento, escolherei os dez melhores cesteiros e trabalharei com eles por um período de um mês e meio. Depois disso, farei uma exposição dos produtos do encontro de treinamento e procurarei por clientes locais e não locais. Também pretendo conversar com a agência de proteção ambiental sobre a possibilidade de colocar estes cestos em lugares estratégicos, como paradas de ônibus e centros comerciais, para a coleta de lixo à prova de água e não degradável, os quais também usarei como material para artesanato.

Mudando a forma de pensar

Acredito que a produção em massa e a utilização de cestos bem feitos causarão uma mudança incrível na forma de pensar da geração mais jovem e lhes oferecerá um meio de vida sustentável. Estes cestos são uma boa forma de coletar lixo leve, como plástico, para que seja devidamente eliminado.

Há um ditado local que fala em “colocar água num cesto”, o qual sugere que um determinado esforço não surtirá efeito positivo algum. Esta é uma metáfora para a atual cultura de ganância e falta de preocupação com o futuro do nosso meio ambiente. Entretanto, sei que, com um esforço conjunto, pode-se mudar a atitude das pessoas em relação às suas próprias tradições, valores e cultura e à maneira como estamos tratando o nosso meio ambiente.

 

Sra. Amuche Nnabueze (née Ngwu), Bishop Shanahan Hospital,  PO Box 19,  Nsukka,  Enugu State,  Nigéria.

E-mail: amuche_n@yahoo.com

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