Foto: Gyanu Kumar Shakya/Share and Care Nepal

Da: Segurança alimentar – Passo a Passo 77

Ferramentas e ideias para melhorar a segurança alimentar

Um programa abrangente para lidar com a insegurança alimentar num povoado dalit, no Nepal

 

Foto: UMN

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O distrito de Mugu fica na região do Himalaia no Nepal. Somente cinco por cento das terras do distrito podem ser usados para a agricultura. Isto se deve aos declives íngremes, à má qualidade do solo, ao clima seco e ao desmatamento resultante da pressão para a utilização das florestas como combustível, forragem e materiais para fazer camas para animais. Em média, cada família só consegue cultivar alimento suficiente para si própria por um período de quatro a seis meses por ano. Algumas famílias de casta baixa cultivam consideravelmente menos do que isso, especialmente as famílias dalits (os chamados “intocáveis” no sistema de castas hindu). As famílias dalits freqüentemente vivem em isolamento e formam as suas próprias comunidades. Elas são excluídas dos rituais sociais e do acesso à floresta comunitária e às terra comuns. A maioria dos dalits não possui terras ou possui um pequeno terreno. Eles geralmente trabalham nas terras dos outros em trabalho escravo.

Estabelecimento do programa

A United Mission to Nepal (UMN) trabalha com a comunidade dalit desde 1999. Em 2004, ela estabeleceu uma equipe em Mugu para procurar resolver as causas fundamentais da pobreza. A equipe trabalhou com organizações locais para realizar uma avaliação da situação social e econômica em Mugu.

Uma organização local, o National Dalit Development Forum (NDDF – Fórum de Desenvolvimento Nacional Dalit), foi escolhida para a parceria. Seu trabalho estava voltado para a defesa e a promoção dos direitos dos dalits. A UMN realizou uma série de discussões com o NDDF e a comunidade dalit para decidir o que poderia ser feito. Eles decidiram implementar um “povoado exemplar” – um programa que empoderaria a comunidade dalit para que alcançasse a segurança alimentar. O povoado dalit, de Tallighuire, composto por dezenove famílias, foi escolhido para participar do programa. Os funcionários da UMN ajudaram o NDDF e os representantes da comunidade a elaborar e implementar um plano de ação.

O programa foi elaborado de forma abrangente, concentrando-se não somente nas questões alimentares, mas considerando também os fatores sociais, econômicos e educacionais que contribuem significativamente para a pobreza das famílias dalits. Os principais componentes do programa foram:

A educação não formal era um ponto de entrada fundamental para se atingir a comunidade dalit, especialmente as mulheres, além de ser útil para alcançar outros componentes do programa. O componente educativo inicialmente concentrou-se nas habilidades de ler e escrever, gradualmente ampliando-se de forma a incluir a educação prática e o oferecimento de bolsas de estudo para crianças dalits. Nas aulas para adultos, os participantes aprenderam sobre planejamento familiar, saneamento, saúde infantil, higiene, vacinação e nutrição, assim como gestão doméstica e questões ambientais. As pessoas que participaram das aulas gradualmente começaram atividades em grupo relacionadas com poupança, saneamento do povoado e campanhas sobre questões relativas à comunidade dalit.

O papel da UMN

O NDDF assumiu a responsabilidade por supervisionar a implementação do programa, enquanto que a UMN prestava apoio ao NDDF. Este apoio consistia em desenvolver a capacidade em atividades de desenvolvimento técnicas e na gestão organizacional. Os métodos utilizados foram a provisão de mentores e treinamento aos funcionários do NDDF, visitas freqüentes às comunidades e treinamento sobre contabilidade, transparência e boa governança.

A UMN prestou apoio aos funcionários do NDDF no planejamento e na implementação do programa de povoado exemplar das seguintes maneiras:

Resultados

O programa consistiu numa série de atividades que direta ou indiretamente contribuíram para a segurança alimentar no âmbito familiar.

O programa foi extremamente bem sucedido em garantir a segurança alimentar. As famílias agora sentem que têm mais controle sobre os suprimentos de alimentos e conseguem gerir melhor a sua segurança alimentar.

Todos os resultados do programa contribuíram para reduzir a pobreza de maneira integrada. Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, muitos pequenos esforços contribuíram para uma grande mudança. O sucesso e a sustentabilidade do programa têm mais a ver com o empoderamento das pessoas do que com as atividades em si ou os resultados muito imediatos. Muitas outras comunidades do distrito de Mugu inspiraram-se e estão planejando implementar um programa semelhante.

Luma Nath Adhikari é o Consultor-Chefe de Soberania Alimentar para a United Mission to Nepal.

PO Box 126, Kathmandu, Nepal.

E-mail: marketing@umn.org.np
Site:
http://www.umn.org.np/

Lições aprendidas

  1. É importante garantir a participação da comunidade desde o início do programa. A liderança da ONG local, o NDDF, ajudou a criar um senso de apropriação dentro da comunidade.
  2. O “povoado exemplar” foi idealizado como um programa abrangente, cujo objetivo era ter resultados imediatos, que pudessem ser diretamente observados pelos membros da comunidade. Isto ajuda a aumentar a auto-estima.
  3. Para a sustentabilidade de longo prazo do programa, foi importante que a UMN desenvolvesse a capacidade do NDDF, tanto em questões técnicas de desenvolvimento quanto em gestão organizacional. O desenvolvimento desta capacidade deve ser de longo prazo (de cinco a sete anos se necessário). As revisões regulares e a disposição para fazer mudanças com base nas lições aprendidas, garantem que o desenvolvimento da capacidade seja relevante e eficaz.
Foto: UMN

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